domingo, 7 de novembro de 2010

Outono

Te pinto dum verde transfigurado
Te ouço em conversas com os ventos
Em sussuros de almas pungentes
Te vestes com trajes de mil cores
Quentes pálidas desbatidas 
No tempo que te resta
Reflectidas em espelhos de água
Ora azuis ora cinzentos
Teus amarelos sorrisos
De abraços de Verão
Teus  tons de vermelho
De amores acabados
Guardados em páginas de livros
Teus ressequidos castanhos
De efémeros contos
Quiçá duradoiros romances
Que deram olfactivos e saborosos frutos
Ai Outono das minhas Primaveras
Que provas que o AMOR
Talvez não sendo eterno é terno
No sabor na saudade
Nos ecos do silêncio do Inverno

Manuela Becken  
Nov./2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ser...

Às vezes  sou
O ser que não sou.
Às vezes não sou
O ser que quero ser.
Às vezes não acredito ser
O ser que julgo ser.
Às vezes sou o ser
Que desconheço ser.

Às vezes...

« ser ou não ser, eis a questão»
Que aperta ou jubila o coração

Outras....
Outras vezes tenho o sol
E ilumino sorrisos.
Outras tenho um jardim
E perfumo pensamentos.
Outras tenho o mar
E inundo a alma.
Outras tenho o vento
E sacudo mentalidades.
Outras tenho montanhas
E crio o sonho, a ilusão.
Outras tenho as nuvens
E abafo na confusão.
Outras tenho a chuva
E choro a solidão.
Outras tenho a criança
E brinco na esperança...

É...
É que às vezes
Falta a sensatez
De viver uma vez de cada vez!!!

Manuela Becken

Invicta

Eis-me  aqui cidade que adoro
E brilha a luz na noite que cai
Mais depressa que o voo das palavras
Que  demoram a expressar
A lindeza que o olhar desperta.
Ai ! a frescura... a brisa
Tornam trémula as águas do Douro
E a correnteza do pensamento.
Aqui é mais um porto de sorrisos
De lânguidos olhares pelos Rabelos
E pelo casario empilhado em cascata.
Porto que as gentes convidas
A abraçar tua dourada beleza
Que o sol descobre e a noite ilumina
Minha triste e tua tão grande singeleza!

Manuela Becken (Jun/2000)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Encontro

Passeei comigo e falámos...
Falámos de coisas bobas e simples:
Do tempo, dos pássaros, das flores, das gargalhadas de quase nadas, mas fortes no sentir;
Falámos dos amores, dos desamores e lamentámo-nos dos fados da vida;
Cortámos flores e enfeitámos  corações e emoções;
Demos as mãos e corremos descalças na relva já fresca sob o anoitecer dourado de Setembro;
Olhámos o céu e dissemos adeus às andorinhas que estão de partida;
Jantámos no Cantinho das Meninas e sentimos a brisa que vinha do mar!
Depois, como boas amigas, nos olhámos e nos despedimos com beijos e abraços
E... fomos, cada uma por seu lado.
Eu entrei e pus-me a escrever...
Ela foi ler o que escrevi e não achou "piada" alguma....!
A noite veio devagarinho com a lua.
E o luar iluminava memórias na madrugada,
O sono saltava de olho em olho e não queria sossegar.
Nós, ali debaixo do estrelado céu, confirmávamos o desassossego do sono
E questionávamos a insónia:
_Saudade?
_Solidão?
_Mágoas?
_Questões do coração?
Talvez sim, talvez não!!!
Mas... coisas simples do que sou, que embalo com emoção!!

Manuela Becken
Set./2010

sábado, 11 de setembro de 2010

Na Praia

Aqui entre gente
A gente se perde.

O vento não fala
Mas sussurra a brisa
com hálito a maresia!

Imagens ondulantes
Do mar inalcançável...!

A gente aqui
Agente do lazer
Do nada fazer fazendo
E...
Olhando o nada da gente
Há sinais e perecer!

Manuela Becken
Verão/2010

Às vezes...

Às vezes faço
Outras desfaço
Às vezes prendo com laço
E ... logo deslaço
Às vezes balanço
E...caio descalço
Sem regaço!
Outras dou comigo a pensar
Coisas simples a matutar...
Se o que fiz era para fazer
Se o que disse era para dizer
Se o que calei era para silenciar.

Ora não sei do que me queixo
Se da uva
Se da parra
Ou se da falta de jeito.
Não sei por que não disse
Se por falta de tempo
Se por causa do momento
Ou simplesmente...
Porque quero que se lixe!

Manuela Becken

domingo, 29 de agosto de 2010

Ser Poeta

Ser poeta não precisa ser rebuscado,
Ser erudito…,
Precisa dizer o que tem de ser dito:
Esfarrapar a alma,
Perscrutar a natureza,
Ser gentil com beleza.
Ser directo e quiçá rude,
Com razão e subtileza.
Ser um Ser sem outro ser...

Ser poeta é fácil
Do difícil de o ser!!

Ser poeta é
Não ser
O ser que se quer ser
É ser todos…
Não ser ninguém...
É ser assim
Só por ser!!


Manuela Becken

Por aí...



São idas e voltas
sonhos soltos
revoltas
paragens
imagens
outras linguagens
sem texto, só miragens…
Horas sem caminhos
procura incessante
noite escaldante
frio
arrepio
que deixa só, o vazio…


Manuela Becken

Em braços

Braço de ferro
de aço….

Braço duro…
de berro,

Braço do abraço que temo!


Braço da vida…
que abriga…

Braço da força …
que reforça,

Braço do abraço que enlaço!


Braço de amor…
que acarinha…

Braço da paz
no regaço,

Braço do abraço que abraço!


Manuela Becken

Silêncio

É no silêncio que me encontro
comigo e o eu com os outros.
É aqui que reflicto minha condição humana.
É no silêncio que vejo o Mundo
e me vejo nele imperfeita
e divina quase magia...!
É no silêncio que ouço
a voz de dentro falar
e é lá que procuro razões
e asas somente para amar.
É no silêncio que viajo
e me encontro com os amores
perfeitos e imperfeitos
com e sem defeitos.
Lá escondo segredos em papéis
de cristal e num olhar
de repente eu os deixo escorregar.
É no silêncio que vejo sorrisos
abertos, brilhantes
e olhos de gigante anão
que desnudam todinho meu coração.
É lá que me refugio
das tropelias e do desassossego
e dentro só eu me aconchego
nos braços que são os meus
neste corpo frágil de mim
no regaço que me compõe
de silêncios sem fim...


Manuela Becken

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Perdida no tempo

É esse brilho de mil luzes
Refectido no mar

É esse sorriso de céu limpído
Com a graça de gaivotas a voar

É esse "quê" brejeiro
Que esconde emoções e desejos

É esse silêncio inquieto
De tempestades e sorrisos

É esse suspiro de criança frágil
Volúvel e traquina

É seres Tu
Que me torna Menina

Manuela Becken

Não é hora...

Medo dúvida desejo
Águas tumultuosas no leito
Rio incerto no percurso
Que sossego espera no peito

Caminhada dura na vida
Risos presos gestos previstos
Nuvens negras nevoeiros
Olhos baços e voz perdidos

Gritos de sereia aflitos
Apelos à calmaria
Mas a dúvida empedrecida
Imprime « Não é hora nem dia»

O tempo passa a fé perdura
Infusão de luz a alma brilha
Desejo que apaga o medo
«A mais bonita feitiçaria»

Manuela Becken

Insistente "Nada"

Sinto-me presa, agarrada ao Nada.
Um nada imenso, aberto, suspenso,
Um nada que me inunda,
Que me afoga e me perturba;
Nada que sendo nada é Tudo!

Um nada alheio, vazio, cheio,
Onde flutua o "eu" confuso,
Entre outros, tantos e poucos
Ou simplesmente entre " nadas".
E nada tendo, tenho
Lamentavelmente
O Nada de nada ter.

Manuela Becken

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ponte / poema

Um olhar
Uma ponte
Um elo que une.

Um sorriso
Uma água transparente
Que leva e traz saudade.

Um gesto
Uma serra
Um céu
Que aconchega.

Uma palavra
Um sol
Um caminho
A seguir.

Um encontro
Um mar
O enlace
O fim!

Doce as águas
Que correm assim!!

Manuela Becken

Quero ser...

Quero ser
menino…
menina…
Traquina.

Quero rir…
Chorar…
Cantar…
Baloiçar no regaço…
Dar ao pai e à mãe um abraço!

Quero jogar…
À bola …
Ao pião…
Com a boneca e com o irmão!

Quero poder dizer…
Sim…
Talvez
Ou não…
Ser filho ou filha da Nação!

Quero ser criança..
Que avança sem dor
No mundo da esperança!
Ser de qualquer cor!

Quero ser…
Menino…
Menina…
Do AMOR!



Manuela Becken

Caminho...

Sigo louca
sem medo,
no fio da faca
calada, falando,
rasgando, penando
pedaços de mim.

Sigo sem direcção
sem religião,
na ilusão,
na procura,
na esperança
no fim…

E sigo assim…

Manuela Becken

Crer!!!!

Crer no certo…
no perto…

Crer no longe…
no incerto…

Crer no muito…
no pouco…

Crer no lógico…
no louco…

Crer em mim …
em ti…
em nós…

Crer na voz
rouca,
mouca…

Crer é não estar só
nem oca…
talvez louca…!



Manuela Becken

Ais!!!

Gritos!
Gritos abafados…
Gritos meditados…

Gritos de dentro…
Gritos de antro…

Gritos de pouco…
Gritos de tanto…

Gritos suados…
Gritos sulcados…

Gritos surdos…
Gritos parcos…

Gritos mudos…
Gritos loucos…
Gritos em gritos moucos!

Manuela Becken