domingo, 29 de agosto de 2010

Ser Poeta

Ser poeta não precisa ser rebuscado,
Ser erudito…,
Precisa dizer o que tem de ser dito:
Esfarrapar a alma,
Perscrutar a natureza,
Ser gentil com beleza.
Ser directo e quiçá rude,
Com razão e subtileza.
Ser um Ser sem outro ser...

Ser poeta é fácil
Do difícil de o ser!!

Ser poeta é
Não ser
O ser que se quer ser
É ser todos…
Não ser ninguém...
É ser assim
Só por ser!!


Manuela Becken

Por aí...



São idas e voltas
sonhos soltos
revoltas
paragens
imagens
outras linguagens
sem texto, só miragens…
Horas sem caminhos
procura incessante
noite escaldante
frio
arrepio
que deixa só, o vazio…


Manuela Becken

Em braços

Braço de ferro
de aço….

Braço duro…
de berro,

Braço do abraço que temo!


Braço da vida…
que abriga…

Braço da força …
que reforça,

Braço do abraço que enlaço!


Braço de amor…
que acarinha…

Braço da paz
no regaço,

Braço do abraço que abraço!


Manuela Becken

Silêncio

É no silêncio que me encontro
comigo e o eu com os outros.
É aqui que reflicto minha condição humana.
É no silêncio que vejo o Mundo
e me vejo nele imperfeita
e divina quase magia...!
É no silêncio que ouço
a voz de dentro falar
e é lá que procuro razões
e asas somente para amar.
É no silêncio que viajo
e me encontro com os amores
perfeitos e imperfeitos
com e sem defeitos.
Lá escondo segredos em papéis
de cristal e num olhar
de repente eu os deixo escorregar.
É no silêncio que vejo sorrisos
abertos, brilhantes
e olhos de gigante anão
que desnudam todinho meu coração.
É lá que me refugio
das tropelias e do desassossego
e dentro só eu me aconchego
nos braços que são os meus
neste corpo frágil de mim
no regaço que me compõe
de silêncios sem fim...


Manuela Becken

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Perdida no tempo

É esse brilho de mil luzes
Refectido no mar

É esse sorriso de céu limpído
Com a graça de gaivotas a voar

É esse "quê" brejeiro
Que esconde emoções e desejos

É esse silêncio inquieto
De tempestades e sorrisos

É esse suspiro de criança frágil
Volúvel e traquina

É seres Tu
Que me torna Menina

Manuela Becken

Não é hora...

Medo dúvida desejo
Águas tumultuosas no leito
Rio incerto no percurso
Que sossego espera no peito

Caminhada dura na vida
Risos presos gestos previstos
Nuvens negras nevoeiros
Olhos baços e voz perdidos

Gritos de sereia aflitos
Apelos à calmaria
Mas a dúvida empedrecida
Imprime « Não é hora nem dia»

O tempo passa a fé perdura
Infusão de luz a alma brilha
Desejo que apaga o medo
«A mais bonita feitiçaria»

Manuela Becken

Insistente "Nada"

Sinto-me presa, agarrada ao Nada.
Um nada imenso, aberto, suspenso,
Um nada que me inunda,
Que me afoga e me perturba;
Nada que sendo nada é Tudo!

Um nada alheio, vazio, cheio,
Onde flutua o "eu" confuso,
Entre outros, tantos e poucos
Ou simplesmente entre " nadas".
E nada tendo, tenho
Lamentavelmente
O Nada de nada ter.

Manuela Becken

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ponte / poema

Um olhar
Uma ponte
Um elo que une.

Um sorriso
Uma água transparente
Que leva e traz saudade.

Um gesto
Uma serra
Um céu
Que aconchega.

Uma palavra
Um sol
Um caminho
A seguir.

Um encontro
Um mar
O enlace
O fim!

Doce as águas
Que correm assim!!

Manuela Becken

Quero ser...

Quero ser
menino…
menina…
Traquina.

Quero rir…
Chorar…
Cantar…
Baloiçar no regaço…
Dar ao pai e à mãe um abraço!

Quero jogar…
À bola …
Ao pião…
Com a boneca e com o irmão!

Quero poder dizer…
Sim…
Talvez
Ou não…
Ser filho ou filha da Nação!

Quero ser criança..
Que avança sem dor
No mundo da esperança!
Ser de qualquer cor!

Quero ser…
Menino…
Menina…
Do AMOR!



Manuela Becken

Caminho...

Sigo louca
sem medo,
no fio da faca
calada, falando,
rasgando, penando
pedaços de mim.

Sigo sem direcção
sem religião,
na ilusão,
na procura,
na esperança
no fim…

E sigo assim…

Manuela Becken

Crer!!!!

Crer no certo…
no perto…

Crer no longe…
no incerto…

Crer no muito…
no pouco…

Crer no lógico…
no louco…

Crer em mim …
em ti…
em nós…

Crer na voz
rouca,
mouca…

Crer é não estar só
nem oca…
talvez louca…!



Manuela Becken

Ais!!!

Gritos!
Gritos abafados…
Gritos meditados…

Gritos de dentro…
Gritos de antro…

Gritos de pouco…
Gritos de tanto…

Gritos suados…
Gritos sulcados…

Gritos surdos…
Gritos parcos…

Gritos mudos…
Gritos loucos…
Gritos em gritos moucos!

Manuela Becken